terça-feira, 6 de setembro de 2011

Aos que tem filhos ou são filhos

Somos as primeiras gerações de pais decididos a não repetir com os filhos os erros de nossos progenitores.
E com o esforço de abolir os abusos do passado, somos os pais mais dedicados e compreensivos, mas, por outro lado, os mais tolos e inseguros que já houve da história.
O grave é que estamos lidando com crianças mais "espertas", ousadas, agressivas e mais poderosas do que nunca.
Parecer que, em nossa tentativa de sermos os pais que queríamos ser, passamos de um extremo ao outro.
Assim, somos a última geração de filhos que obedeceram a seus pais e a primeira geração de pais que obedecem a seus filhos...
Os últimos que tivemos medo dos pais e os primeiros que tememos os filhos.
Os últimos que cresceram sob o mando dos pais  e os primeiros que vivem sob o jugo dos filhos. E, o que é pior, os últimos que respeitamos nossos pais, e os primeiros que aceitam (ás vezes sem escolha...) que nossos filhos  nos faltem o respeito.
A medida que o permissível substituiu o autoritarismo , os termos das relações familiares mudaram de forma radical, para o bem e para o mal.
Com efeito, antes se consideravam bons pais aqueles cujos filhos se comportavam bem, obedeciam a suas ordens e os tratavam com o devido respeito.
E bons filhos, as crianças que eram formais e veneravam seus pais. Mas, á medida que as fronteiras hierárquicas entre nós e nossos filhos foram-se desvanecendo, hoje, os bons pais são aqueles que conseguem que seus filhos os amem, ainda que pouco os respeitem.
E são filhos que, agora, esperam respeito de seus pais, pretendendo de tal maneira que respeitem as suas idéias, seus gostos, suas preferências e sua forma de agir e viver. E, além disso, que os patrocinem no que necessitarem para tal fim.
Quer dizer; os papéis se inverteram, e agora sãos os pais tem que agradar a seus filhos para ganha-los e não o inverso, como no passado.
Isso explica o esforço que fazem hoje tantos pais e mães para serem os melhores amigos e "dar tudo" a seus filhos. Dizem que os extremos se atraem.
Se o autoritarismo do passado encheu os filhos de medo de seus pais, a debilidade do presente os preenche de medo e menosprezo ao nos ver tão débeis e perdidos como eles.
Os filhos precisam perceber que, durante a infância estamos á frente de suas vidas, como líderes capazes de sujeita-los quando não os podemos conter, e de guiá-los enquanto não sabem para onde vão.
Se o autoritarismo suplanta, o permissível sufoca.
Apenas uma atitude firme e respeitosa lhes permitirá confiar e nossa idoneidade para governar suas vidas, enquanto forem menores, porque vamos á frente liderando-os e não atrás, carregando-os e rendidos á sua vontade.
É assim que evitaremos que as novas gerações se afoguem no descontrole e tédio nos quais está afudando uma sociedade que parece ir á deriva, sem parâmetros nem destino.
Os LIMITES abrigam o indivíduo.
Com amor ilimitado e profundo respeito.

                                                                                        Mônica Monastério (Madrid - Espana)

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